Transição gradual vs transição abrupta para o vegetarianismo

Deixar a carne, o peixe e os restantes produtos de origem animal pode parecer, à primeira vista, uma mudança complicada. No entanto, o primeiro passo é tomar a decisão. Depois, escolher o melhor método, que se adequa melhor a cada pessoa. 

Se fazer uma transição gradual é o melhor processo para a grande maioria das pessoas, para outras pode também funcionar uma transição abrupta. Há que adaptar a estratégia às necessidades, hábitos e características pessoais.

No entanto, é preciso ter em conta que enraizar um novo hábito leva o seu tempo. Alguns autores, como Maxwell Maltz, sugerem que pode levar cerca de 21 dias. Assim, talvez o ideal seja, de facto, optar por uma transição mais lenta, mas eficaz.

Primeiros Passos

A informação é a melhor chave para qualquer decisão que se tome ou mudança que se faça. Embora a alimentação possa parecer uma área sobre a qual todos sabemos – afinal de contas, toda a gente se alimenta -, é importante ler e pesquisar sobre nutrição. Isto porque uma alimentação deficiente pode criar sérios problemas de saúde, quer se trate de uma alimentação vegetariana ou omnívora. 

Nos dias de hoje, a internet é um excelente recurso para encontrar informação. No entanto, é preciso ter o cuidado de seguir fontes fidedignas. Um bom aliado nesta fase inicial pode ser o conjunto de manuais relacionados com a alimentação vegetariana lançado pela Direcção-Geral da Saúde, mas também se recomenda o site NutritionFacts.org, o livro Como Não Morrer, do médico norte-americano Dr. Michael Greger, ou o e-book Como Evitar Défices Nutricionais Numa Dieta de Base Vegetal, e até as redes sociais de alguns nutricionistas vegetarianos, como a Sandra Gomes Silva ou o Darchite Kantelal

Estabelecer objectivos e metas é o segundo passo. Começar com um dia por semana sem carne ou peixe, depois dois dias sem qualquer produto de origem animal, passando para três dias 100% vegetarianos e assim sucessivamente, até chegar a uma semana completamente à base de vegetais. Pode demorar mais ou menos tempo, mas o mais importante é viver a mudança conscientemente e fazer deste percurso algo positivo.

Outras dicas

Pode acontecer que, durante a mudança, algumas pessoas não calculem correctamente as calorias e macronutrientes dos alimentos que estão a ingerir, por desconhecimento. Há quem emagreça porque trocou os bifes por taças de salada, mas também o oposto: quem recorra às batatas fritas para substituir as asas de frango fritas, por exemplo. Nenhum dos casos reflecte uma mudança saudável. É preciso saber o que se está a comer, daí a importância da informação durante o período de adaptação.

 

Outra questão importante é não ficar obcecado com a proteína. A Direcção-Geral da Saúde aconselha uma ingestão diária de proteína correspondente a 10-15% do valor total de calorias consumidas, algo como cerca de 0,8 gramas por cada quilograma de peso corporal. Este valor é facilmente atingível numa dieta de origem vegetal, desde que as leguminosas, as sementes, os cereais como a aveia, os frutos secos, os legumes verde escuros e os derivados de soja, como tempeh ou tofu, por exemplo, estejam regularmente presentes.

 

Passar mais tempo a cozinhar também é um ponto importante no processo de mudança. Já que a rotina alimentar vai mudar, fazer experiências na cozinha vai permitir descobrir novos sabores e adaptar as refeições às preferências pessoas. Por exemplo, se bacalhau à Brás era um dos pratos preferidos, porque não replicar a receita com alho francês e outros vegetais? Neste processo, os livros, blogs, canais de Youtube e redes sociais podem servir de inspiração.

Riscos da transição abrupta

Depois de 15, 20 ou 30 anos a viver de uma determinada forma, é difícil quebrar os hábitos e adoptar novas rotinas. Essa realidade é evidente em processos como deixar de fumar, começar a praticar exercício físico ou trocar o carro pela bicicleta, por exemplo. 

 

No caso da alteração da dieta, passa-se precisamente o mesmo. O corpo está habituado a fazer um tipo de refeições, o paladar está habituado aos sabores habituais e mesmo psicologicamente pode ser estranho olhar para um prato e ver apenas vegetais quando, durante muitos anos, houve uma fonte de proteína animal. 

 

Por todas estas razões, a transição abrupta pode ser mais complicada e implicar maiores riscos de fracasso, mas, para algumas pessoas bem informadas, poderá funcionar. É sempre recomendável que haja um acompanhamento de um profissional de saúde, especialmente nestes casos.

Conclusão

O ideal é viver a mudança da melhor forma possível, tendo sempre o cuidado de tomar decisões informadas, e tendo  em consideração que não há uma forma certa de transitar para o vegetarianismo.

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